sexta-feira, 21 de março de 2008

DA ESQUINA DA AVENIDA IPIRANGA COM A SÃO JOÃO, UMA COLHER DE PAU É TEMA.

Era por volta das sete da manhã desta sexta feira santa quando eu e meu amigo procuramos uma lanchonete no centro de São Paulo para tomarmos um café, depois de uma longa noite dançando ao som das músicas eletrônicas de uma boate famosa.
Encontramos uma lanchonete na também famosa esquina da avenida Ipiranga com a São João. Não era aquele bar frequentado por bacanas e que tem nome de cerveja, mas a única lanchonete aberta que encontramos fica de frente a ele - são daquele tipo quebra galhos.
Eu pedi um café com leite e um salgado. Meu amigo uma coca-cola. Ele foi muito mais feliz no seu pedido.
Comiamos em silêncio, quando fomos surpreendidos por uma senhora que carregava uma sacola feita de estopas na mão, usava um saião cujo cumprimento ultrapassava os joelhos e um semblante muito característico das evangélicas pentecostais que eu costumo chamar de radicais, usando um certo eufemismo.
Ela parou ao nosso lado, apontou para um dos funcionários da lanchonete e esbravejo: "Foi vocês que mandou aquele menino de rua roubar minha colher de pau", um clima de constrangimento e susto tomou o lugar. Eu e meu amigo nos entreolhamos e continuamos a comer, querendo ignorar a cena.
Um homem que se portava como se fosse o segurança do local, pegou abruptamente no braço da mulher na tentativa de expulsá-la do local; "Me large seu preto feio". " Eu sei que foi o dono dessa lanchonete que mandou o menino de rua roubar minha colher de pau que eu paguei cinco real", "Foi cinco real a colher de pau, seus protetores de bandidos". A gritaria da mulher gerou ataques de riso na maioria dos que ali consumiam e também funcionários. Se divertiam e eu que de certa forma estava envolvido naquilo, não pude deixar de achar graça naquela cena inusitada. Mas para não me tornar tão igual aquelas pessoas que ironizavam a insanidade ou a normalidade da mulher, eu rapidamente falei para meu amigo pedir a conta. Pagamos e saimos. E mesmo assim, depois de nos distanciarmos, a alguns metros de distância, ainda era possível ouvir a revolta da mulher "Eu paguei cinco real pela colher de pau".

quinta-feira, 20 de março de 2008

PÁSCOA: A ALEGRIA DO MENINO E A MINHA VERGONHA

É época de páscoa e eu nem tinha me dado conta disso se não fosse a sensibilidade infantil de uma criança que ao entrar na padaria onde habitualmente tomo café, se deparou com surpresa e felicidade com uma réplica de coelho que tem logo na entrada e que eu, na minha falta de sensibilidade para essas coisas nunca tinha percebido.
A alegria daquele menino diante do coelho branco de pelúcia, me surpreendeu de forma que passei a observá-lo nos seus pulos, gritos e cumprimentos. "Oi coelhinho". Ele devia ter uns quatro anos de idade e sua empolgação me contagiou de forma que passei a apreciá-lo em estado de graça. Ele deu vida ao tal coelho e de certa maneira a mim também.
Eu passo quase diariamente pelo boneco e nunca sequer lhe dei atenção, muito pelo contrário, faço como os demais adultos que já se libertaram dessas fantasias infantis de coelhinhos da páscoa e assim o ignoro.
O mundo dos adultos é severo com os coelhinhos da Páscoa, com os Papai Noeis. Por que será que nós achamos que esses seres maravilhados e encantados não existem e nos prendemos a uma realidade tão concreta? Disso não tenho a resposta ainda, mas fiquei feliz de ver o garoto naquela felicidade. Tanto que ao passar novamente pelo coelho que tem quase a minha altura, não pude ignorá-lo e antes de passar pelo caixa para pagar o café, não me contive e cumprimentei-o meio envergonhado: "Oi coelho, uma feliz páscoa".

segunda-feira, 17 de março de 2008

EU E OS CLÁSSICOS

Ultimamente me reservo a ouvir os clássicos eruditos e a analisar todos os seus movimentos. Sou fã de Tchaikovsky. Neste sábado passei quase todo o dia dentro desta energia dos mestres.
Uma dedicação especial a Chopin: Este pianista e compositor que segundo a sua história tinha temperamento melancólico e sonhador, tem me trazido bons momentos audíveis através das suas peças. Principalmente a criticadíssima "Concerto para piano n°2", que tem fama de ser imperfeita. Mas é quase unânime o reconhecimento de que há passagens nele que são primorosos. E eu particularmente, não vejo nessa obra os signos melancólicos que muitos críticos lhe atribuem. Muito pelo contrário, percebo uma vivacidade nesse concerto que me faz refletir sobre o outro lado de Chopin. O sonhador.
E sonhar para mim é fundamental. Vejo no sonho a raiz de uma concretização.

sábado, 15 de março de 2008

VONTADE DE CRIAÇÃO

Estou com a imaginação burbulhando e uma vontade enorme de criar algo que seja diferente. Mas parando para pensar melhor, me pergunto: O que seria diferente num mundo tão igual do ponto de vista da criação, onde as novidades já nascem com cara de velhas como bem disse Cazuza.
Quero criar algo novo, mas novo mesmo. Que seja totalmente inédito e que fuja das comparações do tipo:
- Bem, isso me lembra tal artista!
Não. Chega de sermos comparados, de termos influências e de bebermos em fontes. Eu quero minha fonte pura. Pura de mim, pura de tudo, pura de todos, para que ela seja a essência da criação. Da criatividade sem limites, sem estéticas, valores ou coisa e tal. A pureza da criação, é isso que quero e busco na minha vontade.

OS MAIS BELOS POEMAS QUE O AMOR INSPIROU

SOLITÁRIO

J. G. ARAUJO JORGE


Longe de ti, do mundo, - solitário,
sem o riso das falsas alegrias
vou desfiando, um a um, todos os dias,
como contas da dor, no meu rosário...

E assim, - sem ter ninguém, - oh! quantas vêzes!
- no amor que já deixei fico a pensar...
E as semanas se escoam sem parar:
a primeira...outra mais...mais outra...e os meses...

O outono já chegou, e as fôlhas solta...
E eu sem querer, nostálgico, me ponho
a pensar que êsse amor aos poucos volta...

Mentira!...Vâ mentira que me ilude!...
Como é triste a ilusão mesmo num sonho,
eu que na vida me iludir não pude!...




Extrai este lindo poema do livro " Os Mais Belos Poemas que o Amor Inspirou", do grande poeta J. G. de Araujo Jorge.
Livro este que descobri a pouquíssimo tempo e que tem me feito deleitar sobre a beleza poética da poesia simples, elegante e bem elaborada.

terça-feira, 4 de março de 2008

É TEMPO DE SER FELIZ

Vim aqui dizer que a vida está ótima, numa adrenalina danada por conta do trabalho; mas devo admitir que as poucas horas livres tenho aproveitado fora da vida virtual. Tenho feito grandes amigos, os quais deram uma oxigenada no meu ritmo de vida no sentido de conhecer coisas novas, viver novas emoções e aventuras.
Os anos passam e nós temos o costume de dizer que vivemos intensamente cada minuto, mesmo quando estamos diante da tv ou do computador. Imagina!
Se eu contar todos os minutos, horas, dias, meses e anos em que me dediquei a ficar na solidão do meu quarto vivendo virtualmente, eles se resumem em quase nada considerando a intensidade com que tenho saído nos últimos dias.
Dá pra notar que estou feliz né? Eu já disse que é muito difícil escrever quando estamos num estado emocional de extrema alegria. A tristeza nos ajuda muito a desenvolver bons textos, enquanto que a felicidade nos tira o tempo de pensar na vida e apenas seguir vivendo.
Quero extravasar essa felicidade de forma que ela atinja o coração de todos vocês e que possamos numa voz unissono dizer " É TEMPO DE SER FELIZ"

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

FRASES QUE MACHUCAM!

Nem tudo que parece é. Mas tem coisas que nem precisam parecer. É aquela situação em estamos no local errado, na hora errada e com as pessoas tão erradas quanto. Falo isso porque existem frases, que mesmo quando não são direcionadas para nós, nos incomodam muito. Apesar que nem sempre essas tais frases são totalmente soltas, sempre tem um alvo em potencial. E eu acabei sendo um deles.
Não consigo entender como os seres humanos, ou melhor, algumas espécies de seres humanos se dedicam a cuidar da vida que não lhes pertence, se incomodam com as atitudes das outras, as vezes penso até que não aceitam a felicidade e a alegria de quem vive fora dos paradigmas.
Eu sei que não devo me pautar pela opinião alheia, mesmo que seja de alguém que eu tenha algum apreço, mas num momento como esse que vivo agora, onde tenho tido várias demonstrações de carinho e que a alegria de viver está visivel em minha face, sou golpeado por um comentário maldoso e inescrupuloso por parte de alguém que sequer serve de espelho para me julgar, ou julgar quem quer que seja.
Mas isso, apesar de me entristecer um pouco e fazer com que eu use este espaço maravilhoso para desabafar e falar de coisas tão chata, com uma carga emotiva tão forte, não tirará minha certeza interior de que dia após dia estou vencendo uma guerra e de me orgulhar de ser este guerreiro que tenho sido até agora!
Me desculpem pela choradeira, mas tinha que desaguar esse sentimento em algo e aí não tive outra idéia senão correr para o computador. Bjão pra vocês!