sexta-feira, 5 de novembro de 2010

QUEM MORRE?



Pablo Neruda

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A MORTE, OS FANTASMAS E A SOLIDÃO


Diante da morte o que me assombra é a solidão provocada pelos fantasmas que te roubam de mim. São eles que me levam à guerra. A morte é só uma passagem, compreensível. Agora os fantasmas, esses não morrem nunca, vivem de ocasião a ocasião tentando me desestabilizar, me fazer de louco, acabando de maneira lenta e dolorida com a minha segurança. Não há mais nada a pensar, a construir e a acreditar senão na solidão que sinto quando me deparo com os seus fantasmas, desejos, projetos e futuro. Ficar frente a frente com o seu futuro é o que traz a morte. Mas busco a vida nas ludibriações, na ilusão, na esperança e na vontade de um dia ser feliz, para depois poder voltar aqui e escrever sobre a felicidade, ou então, as infelicidades dos tempos passados. Enquanto isso não for possível eu continuarei diante da morte pensando e temendo a solidão e os fantasmas que te levam de mim.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

TUDO VALE A PENA



No final digo que tudo vale a pena. O começo nada mais é do que um pretexto para justificar, argumentar, tentar convencer , ou melhor, se convencer de que no final tudo se acerta da melhor ou da pior maneira.
E seja lá o que for, ninguém morre por não ter tido o final esperado e agora acabo de pensar se este tal final existe de fato ou se não é apenas um inicio.
Eu ando com a cabeça nas nuvens, nas negras é claro! Parece que nada se acerta, tudo se complica e a vida se transformou numa grande equação de difícil solução. O X da questão não encontro e estou quase me certificando de que ele não existe, a não ser para quem me vê do outro lado da tela.
Não meu amigo, não sou ator e nem roteirista de cinema, mas já ouvi alguém dizer e se minha memória tão ferida não estiver errada arrisco em Rubens Braga num de seus romances, mas penso que viver nada mais é do que participar de um filme ou de um romance como ator principal.
Quando eu achei que estava forte o suficiente para me prevenir de qualquer obstáculo amoroso me pego aqui escrevendo sobre o sofrimento que amar nos causa. Uma canção diz que o melhor é nem amar, eu bem que tentei embora tenha descuidado e fui atingido em cheio por esse sentimento pervertido, desumano e cruel.
Tentei ter sangue frio, mas biologicamente isso é impossível porque somos obrigados a alimentar o calor insano das paixões arrebatadores.
Como disse, no final tudo vale a pena, serve como aprendizado. Aprendizado porra nenhuma!
Amanhã é bem capaz de eu achar que estou novamente curado, recuperado e me sentindo um autêntico malandro em matéria de amor e acabar sendo atingido novamente por outro amor qualquer que não se acerta, não se encontra mas que corre como água de rio que nasce limpo e acaba morto por poluição e dejetos indesejáveis e aí me caberá novamente fazer como piracema, nadar contra a correnteza até voltar à fonte. Essa porra é um ciclo e não adianta achar que vou fugir disso. O que me conforta nesse instante é que no final tudo vale a pena!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

CINCO MINUTOS APENAS


Tenho pouco mais de 5 minutos para escrever aqui e até que considero um tempo razoável para quem tem muito pouco a dizer. Aproveito esse momento, enquanto ouço uma música do Roberto para desaguar algumas das minhas angústias íntimas. Ando bastante estressado por esses dias. Percebo isso na falta de paciência comigo e com os outros. Tanto que num sábado desses tive uma crise emocional e surtei no meio da rua. Tive vontade de gritar,esbravejar, praguejar e até morrer (esta alternativa estava bem fácil). Quando voltei, tive vergonha e chorei. Me acalmei e caminhei por cerca de duas horas por uma avenida em linha reta. Processo terapêutico para mim. Parei numa padaria e enquanto degustava uma cerveja tive a revelação do que me fizera lobo por um dia, era o estresse e a vontade de ser entendido. Mas para quê as pessoas me entenderiam se não eram interessante para elas? Então pensei:"Como sou idiota!" e voltei para casa. Sem resposta, sem solução, mas um pouco mais aliviado.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O RIO E A CIDADE


São Paulo é uma cidade excepcional por causa do contraste que ela oferece na sua paisagem urbana. E dias desses eu estava parado no congestionamento habitual da Marginal Pinheiros, bem próximo ao seu novo cartão postal que é a Ponte Estaiada quando observei com maior atenção os monumentais arranha-céus que ocupam o lado direito de quem vem da zona sul para a zona norte. É uma coisa linda de se observar aquele mosaico de vidros espelhados em meio a formas arquitetônicas modernas. A avenida Luiz Carlos Berrini roubou da Avenida Paulista a referência de centro financeiro e de grandes negócios. É muito mais viva e pulgente certamente.
A Ponte Estaiada que foi construída naquelas imediações como parte do Complexo Viário Real Parque, cruzando o Rio Pinheiros e batizada com o nome do jornalista Octávio Frias de Oliveira custou cerca de R$ 220 milhões e serve de cenário para telejornais e telenovelas com o único propósito de potencializar o mercado imobiliário que se amplia na região é de encher os nossos olhos de beleza.
Mas algo além de toda aquela maravilha me causou um grande desconforto. Um cheiro insuportável de merda e podridão tomou minhas narinas e então me virei para o lado esquerdo e ví um rio triste e agonizado, lutando para se fazer presente mas praticamente morto, com sua mórbida correnteza amarronzada, cheia de efluentes e dejetos, pedindo socorro para viver.
E foi este cenário que me tocou com grande profundidade. Um rio que já se chamou Jurubatuba por causa das palmeiras que lhe cercavam e das belíssimas Araucárias que deram origem ao nome de Pinheiros, totalmente deslocado daquela paísagem e aí até mesmo a Ponte Estaiada perdeu a beleza. Tive um pensamento que logo se tornou nas seguintes dúvidas:”Por que estão deixando o Rio Pinheiros morrer?”,” será que existe algum projeto obscuro de canalização desse que acabou se tornando num estorvo arquitetônico na cidade?”.
E então passei a divagar o quanto bem mais agradável seria se pudéssemos desfrutar da beleza pura da natureza que o Rio Pinheiros poderia nos proporcionar caso estivesse ele limpo e saudável, talvez as pessoas nem se estressariam com o trânsito ao sentir doce e o ar refrescante.
Para o Governo de São Paulo a recuperação do Rio Pinheiros e a volta de alguns peixes e plantas depende de U$$ 100 milhões. Mas para a população em geral esse valor acaba sendo pouco diante da qualidade de vida que se ganha e mais ainda isso não deve representar quase nada diante do dinheiro que circula nos prédios espelhados da Berrini e região.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

UMA BREVE SAUDAÇÃO


Há tempos que não paro para escrever minhas divagações nesse espaço tão nobre. Isso não quer dizer que eu esteja sem pensar em algo para postar. Muito contrário disso, tenho tido várias situações interessantes que mereciam algum tipo de comentário aqui. Foram conversas de bar, situações do cotidiano e até coisas do trabalho já que estou num momento interessante de efervescência profissional e talvez esse seja o grande motivo da minha ausência aqui.
Tentarei me disciplinar para ficar mais presente aqui com coisas legais para passar para vocês.
Por hoje é só. Felicidades para todos

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

4 ESTILOS QUE EMBELEZAM O BAIRRO


Um olhar mais atento de quem anda pelas ruas do Jardim Icaraí percebe que alguns muros que antes estavam decadentes, tomados por pichações ou deteriorados pelo tempo ganharam cores e vida através de imagens, letras e desenhos artísticos grafitados.
Até o escadão da rua Almir Dehar que antes era feio e sinistro ficou bonito e alegre. Tudo isso graças ao esforço de 4 amigos grafiteiros que se juntaram para montar o que eles chamam de “Crew” e usar a criatividade para divulgar os seus talentos artísticos pelas ruas da região.
Foi assim que surgiu o “Four Style” formado pelos jovens Tigo, Feno, Tioch e Heu. Todos eles moradores da região, desenvolvem estilos diferentes de pintura com spray e ao contrário de muitos jovens que vemos por aí sem perspectivas, esses meninos investiram no sonho e na vontade de transformar o que seria apenas um entretenimento num projeto artístico que segundo um dos seus integrantes tem a função de” trazer felicidade e bem estar para as pessoas que transitam pelas ruas, vielas e escadões da região”. E realmente é muito agradável caminhar e ver o trabalho deles estampados pelos muros. Causa boa impressão. Até mesmo quando não entendemos o que querem expressar com aquelas letras, figuras e cartuns, ainda assim é interessante ver aquela diversidade de cores e formas dando uma nova cara para a estética urbana da periferia, tão marcada pela cor vermelha dos tijolos expostos das casas sem reboco em meio a manchas cinzentas.
Mesmo enfrentando dificuldades para adquirir o material necessário que na maioria das vezes é comprado com o dinheiro do próprio salário, todos trabalham em outro ramo durante a semana, o grupo “Four Style” não desanima e vê no reconhecimento das pessoas que admiram e divulgam seus trabalhos o maior incentivo para continuar embelezando nosso bairro e servindo de exemplo para que outros jovens tomem iniciativa semelhante e protagonizem ações que resultem numa melhor qualidade de vida para todos.
Parabéns a todos os integrantes do “Four Style” e a todos os grafiteiros que usam a sua arte pelas ruas para promover uma nova ação cultural urbana.