sábado, 14 de novembro de 2009

CULPA DA MÃE?


Quando abri os olhos senti a claridade da manhã ensolarada invadir minhas vistas. Na noite anterior me esqueci de fechar as cortinas da janela e assim evitar que luz matinal invadisse meu quarte e atrapalhasse meu sono.
Nunca gostei de acordar cedo, pelo menos uma grande parte das pessoas que conheço também não e isso é o que me conforta profundamente, porque me deixa igual aos demais.
Ainda deitado, com o meu pequeno quarto iluminado pela luz do sol e pelo abajour que eu também deixara aceso a noite toda, comecei a pensar na vida. Um pensamento involuntário. As coisas vinham na minha mente sem que eu as controlasse ou selecionasse o que queria refletir.
Pensar na vida não é uma coisa dificil para mim que estou sempre exercitando essa prática. Não sou filósofo, apenas penso, lembro e relembro fatos. Um dia quis até escrever uma crônica sobre o que eu pensava, mas logo me deu preguiça e desisti.
Preguiça eu tenho de sobra. Seja para trabalhar, seja para estudar, para namorar, para ler, escrever, enfim. Sou um ser preguiçoso.
Mas não atribuo minha preguiça a vagabundagem porque vagabundo eu não sou. Até faço uns trabalhinhos aqui e acolá, ganho um pouco de dinheiro que me permite ir no cinema, comprar um jeans novo ou então ajudar a pagar a conta de telefone.
O céu límpido de um azul celestial, com um raio de sol que mira meu rosto ainda marcado com os traços do sono e da noite mal dormida me perguntam o que vou ser quando crescer. E eu não sei responder a essa provocação, porque já tenho mais de quarenta anos de idade. Crescer como e aonde? Rebato a questão com outra.
Logo minha mãe acordará e me chamará aos berros para que vá odiosamente a padaria que para meu desgosto, fica a mais de quinze minutos da minha casa. Acho que ela faz isso de propósito, para me ver com raiva. Eu não tenho culpa de ser assim caralho!
Culpa tem ela que não me colocou logo cedo para trabalhar, para fazer cursos, esportes, até teatro amador eu faria, embora nunca tivesse talento para as artes.
Agora vive me criticando porque não tomo atitude para nada, fico o dia todo em frente a teve, vendo os programas de auditório.