LADY GAGA - LOVE GAME

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A FESTA DE DONA ANGELINA


No sábado passado Dona Angelina fez uma festa que foi de arromba. Ela queria comemorar seus sessenta anos de idade com uma galera diferente que fosse bem mais jovem e animada. Até que conseguiu porque as pessoas se embebedaram e ouviram Roberto Carlos com uma vivacidade de quem ouve Lady Gaga.
Ela estava muito feliz. Pulava, cantava, bebia e chegou a dar uns beijinhos num garoto que era amigo de seu quinto neto. Ninguém se espantou com a cena porque afinal era uma festa de sessenta anos com a temática anos dois mil.
Dona Angelina pensou que era muito mais bacana fazer uma festa de aniversário aos moldes modernos do que uma daquelas chatérrimas dos anos sessenta, setenta ou daí para trás. Imagine uma festa da saudade! “Deus me livre” dizia ela. “ Saudade para quê? Já estou com sessenta anos, se eu começar a viver de saudades me esqueço do hoje e aí perco o que está na moda.”
A moda é o que pega. E essa geração é muito mais aberta, mais viva. Ela grita mais, dança mais, fala muito mais besteiras, até sexo fazem mais e com muito mais vigor. Dona Angelina queria ter nascido nessa geração e conhecido a de sessenta e oito apenas pelos livros do Zuenir Ventura.
Tirando o quinto neto, que além de ser jovem e muito ligado a avó materna, os outros quatros sentem vergonha do jeito com que dona Angelina se comporta, “ Pensa que é uma adolescente!”. Sua filha já não se importa, acha a mãe divertida e até briga muito com o marido e os filhos mais velhos defendendo a opção de Dona Angelina. A única coisa que desaprovou foi um relacionamento relampago que a sua mãe teve com uma lésbica que tinha quase a mesma idade dela.” É uma experiência nova para mim Érica, deixa eu curtir depois te falo se virei lésbica ou não!”.
No fundo era só uma experiência mesmo, que não durou mais do que alguns dias até aparecer um senhor meio maluco que a roubou da tal lésbica que sumiu do mapa.
Na festa de sábado passado Dona Angelina estava solteira porque sabia o que queria. E ela por sí só já se bastava, não precisava de companhia de ninguém, apenas dos amigos. Mesmo que fossem os amigos do seu quinto neto já que os seus sumiram para ficar vivendo de saudades.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

GOTA DE ORVALHO OU ESPERANÇA?


A felicidade não é como a gota de orvalho como diz a canção de Jobim. Acho que ela é a esperança do surgimento do orvalho. Uma esperança. Hoje se digo que estou feliz, quero dizer na verdade que estou com uma esperança. E realmente estou com uma ponta de felicidade no futuro. E como o futuro é incerto, afirmo que sinto uma felicidade indefinida e efêmera.
Penso que criar uma expectativa, mesmo quando as coisas não estão a nosso favor. Aliás, raramente elas estão. Ainda assim, construímos uma certa ilusão que nos ajuda a afastar o sentimento depressivo, as músicas da Elis e o álcool. E assim vamos vivendo o dia após dia esperando a gota de orvalho numa pétala de flor.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DIA MUNDIAL DE COMBATE A AIDS

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ROMANCE SONÂNBULO


Federico Garcia Lorca

(A Gloria Giner e a
Fernando de los Rios)


Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana,
as coisas estão mirando-a
e ela não pode mirá-las.

Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha
nascem com o peixe de sombra
que rasga o caminho da alva.
A figueira raspa o vento
a lixá-lo com as ramas,
e o monte, gato selvagem,
eriça as piteiras ásperas.

Mas quem virá? E por onde?...
Ela fica na varanda,
verde carne, tranças verdes,
ela sonha na água amarga.
— Compadre, dou meu cavalo
em troca de sua casa,
o arreio por seu espelho,
a faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde as passagens de Cabra.
— Se pudesse, meu mocinho,
esse negócio eu fechava.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Compadre, quero morrer
com decência, em minha cama.
De ferro, se for possível,
e com lençóis de cambraia.
Não vês que enorme ferida
vai de meu peito à garganta?
— Trezentas rosas morenas
traz tua camisa branca.
Ressuma teu sangue e cheira
em redor de tua faixa.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Que eu possa subir ao menos
até às altas varandas.
Que eu possa subir! que o possa
até às verdes varandas.
As balaustradas da lua
por onde retumba a água.

Já sobem os dois compadres
até às altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremiam pelos telhados
pequenos faróis de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.

Verde que te quero verde,
verde vento, verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O vasto vento deixava
na boca um gosto esquisito
de menta, fel e alfavaca.
— Que é dela, compadre, dize-me
que é de tua filha amarga?
— Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperara,
rosto fresco, negras tranças,
aqui na verde varanda!

Sobre a face da cisterna
balançava-se a gitana.
Verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Ponta gelada de lua
sustenta-a por cima da água.
A noite se fez tão íntima
como uma pequena praça.
Lá fora, à porta, golpeando,
guardas-civis na cachaça.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar.
E o cavalo na montanha.


Federico Garcia Lorca nasceu na região de Granada, na Espanha, em 05 de junho de 1898, e faleceu nos arredores de Granada no dia 19 de agosto de 1936, assassinado pelos "Nacionalistas". Nessa ocasião o general Franco dava início à guerra civil espanhola. Apesar de nunca ter sido comunista - apenas um socialista convicto que havia tomado posição a favor da República - Lorca, então com 38 anos, foi preso por um deputado católico direitista que justificou sua prisão sob a alegação de que ele era "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver." Avesso à violência, o poeta, como homossexual que era, sabia muito bem o quanto era doloroso sentir-se ameaçado e perseguido. Nessa época, suas peças teatrais "A casa de Bernarda Alba", "Yerma", "Bodas de sangue", "Dona Rosita, a solteira" e outras, eram encenadas com sucesso. Sua execução, com um tiro na nuca, teve repercussão mundial.


A poesia acima foi extraída de sua "Antologia Poética", Editora Leitura S. A. - Rio de Janeiro, 1966, pág. 53, tradução e seleção de Afonso Felix de Sousa.

sábado, 14 de novembro de 2009

CULPA DA MÃE?


Quando abri os olhos senti a claridade da manhã ensolarada invadir minhas vistas. Na noite anterior me esqueci de fechar as cortinas da janela e assim evitar que luz matinal invadisse meu quarte e atrapalhasse meu sono.
Nunca gostei de acordar cedo, pelo menos uma grande parte das pessoas que conheço também não e isso é o que me conforta profundamente, porque me deixa igual aos demais.
Ainda deitado, com o meu pequeno quarto iluminado pela luz do sol e pelo abajour que eu também deixara aceso a noite toda, comecei a pensar na vida. Um pensamento involuntário. As coisas vinham na minha mente sem que eu as controlasse ou selecionasse o que queria refletir.
Pensar na vida não é uma coisa dificil para mim que estou sempre exercitando essa prática. Não sou filósofo, apenas penso, lembro e relembro fatos. Um dia quis até escrever uma crônica sobre o que eu pensava, mas logo me deu preguiça e desisti.
Preguiça eu tenho de sobra. Seja para trabalhar, seja para estudar, para namorar, para ler, escrever, enfim. Sou um ser preguiçoso.
Mas não atribuo minha preguiça a vagabundagem porque vagabundo eu não sou. Até faço uns trabalhinhos aqui e acolá, ganho um pouco de dinheiro que me permite ir no cinema, comprar um jeans novo ou então ajudar a pagar a conta de telefone.
O céu límpido de um azul celestial, com um raio de sol que mira meu rosto ainda marcado com os traços do sono e da noite mal dormida me perguntam o que vou ser quando crescer. E eu não sei responder a essa provocação, porque já tenho mais de quarenta anos de idade. Crescer como e aonde? Rebato a questão com outra.
Logo minha mãe acordará e me chamará aos berros para que vá odiosamente a padaria que para meu desgosto, fica a mais de quinze minutos da minha casa. Acho que ela faz isso de propósito, para me ver com raiva. Eu não tenho culpa de ser assim caralho!
Culpa tem ela que não me colocou logo cedo para trabalhar, para fazer cursos, esportes, até teatro amador eu faria, embora nunca tivesse talento para as artes.
Agora vive me criticando porque não tomo atitude para nada, fico o dia todo em frente a teve, vendo os programas de auditório.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

FUGA


Tem horas em que eu gostaria de viver no meio do mato. Bem longe das pessoas. Podia ser num casebre a alguns quilômetros da BR-319, entre o Acre e o Amazonas. E não me importaria muito se não tivesse as facilidades da vida urbana, desde que eu ficasse cercado dos meus livros, das minhas ideias e da minha solidão.
As pessoas são muito difíceis de serem compreendidas, inclusive eu que vivo cheio de crises existênciais e emocionais e as vezes tenho a estranha sensação de que ultrapasso os limites da minha pessoalidade e começo a infrigir na vida dos outros com minhas encanações.
Não gosto quando isso acontece, como agora. Para esses momentos tenho a solidão como amiga e companheira e ela sim é fiel, esteja eu bem ou mal sempre conto com a sua presença. Muito embora nos últimos dias tive a péssima ideia de querer dividir meus anseios com outra pessoa, que tanto quanto eu, não se define a que veio e também pouco se importa com as crises alheias, a não ser quando elas lhe convém.
Estou perdido e sem rumo, vejo caminhos opostos e uma impotência para uma decisão bem tomada. Daqui a pouco amanhece e minha fuga será o sono matutino ou então na falta desse, uma padaria, um jornal de consolo ou um simples caminhar.
Sinto uma dor forte no abdômen, que vem se intensificando ao longo dos dias e que me obrigará a procurar um médico, coisas que faço em momentos extremos. Por conta dela é que esse texto se faz ao amanhecer de um domingo perdido, aliás, mas um dia perdido nas divagações e ondulações do pensamento entre o real e o imaginário.
Me faria bem viver no meio do mato, mesmo que fosse por horas. Saber que não preciso entender ninguém e muito menos cobrar entendimento de alguém.

sábado, 17 de outubro de 2009

RETROSPECTIVA 2007.


Eu gosto muito de reler os textos antigos deste blog, porque eu procuro me lembrar porque escrevi determinada coisa e rememorar algumas situações que me trazem saudades ou divertimento. E para não deixá-los mortos na memória, resolvi postá-los novamente na íntegra com a data de postagem. Mas não se assustem porque não será diariamente, apenas aos sábados pela manhã.

NA FALTA DO QUE DIZER

Como é difícil manter um blog sempre atualizado com textos interessantes. Nem sempre os blogueiros de plantão estão inspirados a ponto de escreverem o que seus leitores querem ler. É o caso deste pseudo escritor.
Busco com afinco dentro do noticiário que leio diariamente, dos bate papos entre amigos, das cenas que vejo na tv ou na internet ou nas caminhadas pelas ruas da cidade, algo que seja digno de um bom texto opinativo. Nem sempre consigo interligar o que acontece a minha volta ao que penso sobre eles. Pura desatenção ou desinteresse pelo que meus olhos vêem. Paro e penso porque devo ter opinião formada sobre tudo? Porque sou jornalista, logo respondo, e como bom jornalista tenho obrigação de conhecer, analisar, entender, interpretar e consequentemente passá-lo adiante para outras pessoas para que sirva de contribuição á chamada formação de opinião.
Mas sinto que as coisas não estão tão importantes a ponto de merecer uma linha sequer de reflexão. Está tudo muito monótono. Há uma crise de fatos interessantes no mundo. Todos os dias, são as mesmas coisas, as mesmas opiniões e assim por diante.
Por isso não tenho conseguido deixar meu blog atraente e dinâmico. Para não deixá-lo perdido no mundo virtual, virei sempre que possível para dizer o que todos dizem, mesmo que seja para reclamar das faltas de inspirações.
Acabo de criar um poema e em breve publicarei neste querido espaço. Aguardem


texto publicado em 27/11/2007.