segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O AMOR É PECADO CAPITAL

O amor é um pecado capital, amar não. Quem ama é vítima da maçã e do veneno doce que escorre feito mel.
É mel. Açucarado, leitoso, sem grandes sabores. O pecado está no amor de quem ama. Como podem os homens amar tanto?
Um sentimentozinho que dizem vir do coração, mesmo quando esse deixa de bater abruptamente num surto desesperado de quem não deseja nada mais do que um copo d água na hora da sede. E se libertar deste terrível pecado tão capital quanto a gula.
Não meus caros, não se iludam com as inverdades daqueles que tapam o sol com a peneira. Se o amor fosse bom sentimento, ele não seria tão adaptável aos homens. Ele é uma tentação maligna, tal qual é a paixão.
Essa sim é corajosa. Não teme ao se assumir como pecado, tão capital como a luxúria, tão quente quanto o inferno e real como o diabo. É o diabo de saias, seios, bundas e sexos, além de beleza estonteante. Embora os apaixonados se queiram todos santos.
Ao contrário do que se diz do amor, a paixão não vem do coração. Deste passa longe, porque o seu ponto fraco, o seu alvo é o desejo, o sexo, a sedução e a pureza dos gozos desperdiçados ao léu.
Com ela, essa diaba, os apaixonados não têm perdões. São igualmente pecadores e por isso devem pagar, comendo chocolates exageradamente apimentados, de onde escorre o conhaque que destrói os fígados e inebriam as mentes.
O pecado só se desfaz quando o eclipse humano aproxima esses dois sentimentos que se alternam entre sombras e figurações. Acontecimento único é esse encontro do veneno doce da maçã com o apimentado do chocolate e conhaque.
Começa aí um novo sentimento ainda em estudo, mas que já se sabe é cristalino e puro como a água da fonte. Suave como vinho e inocente como os homens.