sexta-feira, 17 de abril de 2009

O VELHO

Estou velho na idade.
Me passaram décadas e eu sequer percebi
o peso das costas cansadas diante da minha alegria em viver
Vivo o sonho, como qualquer criança.
Concretizo minhas travessuras.
Revivo a nostalgia de um tempo
Como agora faço.
E assisto minha vida pela tela da memória.
Lento, suave, triste e alegre ao mesmo tempo. Um belo drama!
Acordo com meus olhos nas rugas das mãos que apoia a bengala.
Sorrio em frente o espelho como um matusalém
As dores reumáticas me alertam de que vivo
Paro. Ouço atentamente uma música do meu tempo de menino
Eu me sentava na beirada da cama pra sonhar com o futuro
Ingênuamente a mente me enchia de cenários felizes.
E hoje, apoiado nessa bengala, sou um velho.
Feliz por ser e viver.
Como nunca imaginei antes.
O passado de hoje foi ontem o meu futuro ,
Que hoje celebra comigo a delícia do presente.