terça-feira, 9 de outubro de 2007

Convite

Lya Luft


N�o sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
N�o sou apenas a pedra que rola
nas mar�s do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou constru��o e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mist�rio

A quatro m�os escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a s�rio.


Em entrevista a Paulo Eduardo de Vasconcellos, na revista "Veredas", ao ser perguntada sobre o que � seu novo livro, respondeu: "N�o sei. Come�o exatamente perguntando que livro � este. N�o � um ensaio porque n�o sou acad�mica. N�o � fic��o porque n�o � inventado. � o resultado de id�ias que v�o surgindo, de novas linguagens, novas coisas a serem ditas, mas ainda sem nome. N�o sei o que �. � pensamento talvez, n�o sei explicar. A semente foi uma vontade de escrever sobre a maturidade. Vivemos numa sociedade que por um lado tem coisas dram�ticas e tr�gicas, e por outro est� imbu�da de uma futilidade angustiante. N�o s� das mulheres na busca da eterna juventude — algo pobre, triste. As pessoas passam a n�o saborear os 40 anos, os 60, t�m pavor dos 70, aos 80 j� gostariam de ter morrido. S�o como um carro rodando com os far�is voltados para tr�s."


Extra�do do livro "Perdas & Ganhos", Editora Record - Rio de Janeiro, 2003, p�g. 12.