domingo, 2 de agosto de 2009

TRABALHAR NOS 30 ANOS PARA GARANTIR OS 40.


Passado o primeiro dos anos em que me dediquei a planejar o que eu chamo de aceleração do futuro, percebi que não avancei muito em vários aspectos. Isso me frustra por um lado, mas por outro me ajuda a rever alguns pontos que considero essenciais para a execução do meu plano.
Quando completei trinta anos, há um ano, me comprometi em trabalhar durante os dez anos seguintes para ter conforto a partir dos quarentas. Seria uma espécie de PAC pessoal, onde defini um plano de metas auspicioso interligado a várias áreas da vida, desde profissional, afetivo, familiar e até realizações pessoais como comprar um carro e um apartamento que seja preferencialmente na região central da cidade.
Um plano nada fácil de executar se eu considerar minha situação atual onde não possuo nenhuma perspectiva de melhora no meu trabalho em curto prazo e ainda me vejo atolado em dívidas antigas que adquiri ao longo dos meus vinte anos, fruto de uma juventude irresponsável, sem horizontes, imediatista e consumista. Uma década perdida na categoria “pensar o futuro”, mas bastante produtiva na categoria “prazeres instantâneos”.
Sem grandes arrependimentos do que vivi no passado, o importante é que vislumbrei um novo horizonte a partir do meu trigésimo aniversário e tento a duras penas alcançá-lo.
Como disse no início desse texto, ao analisar o primeiro dos anos planejados, se houve frustrações, não deixo de considerar pontos positivos também. Um deles foi observar o quanto as pessoas com as quais convivo estão comprometidas com esse meu projeto. Vi que muitas delas não se importam com esse meu plano. Consideram auspiciosos demais para ser alcançado e tentam me influenciar a viver dentro de um imediatismo consumista semelhante aos que eu vivia na minha segunda década de vida.
Percebi que maior do que as dificuldades financeiras que terei para me equilibrar e me guiar na concretização deste plano, será o desafio de eliminar da minha mente a influência das pessoas que me cercam, cheias de boas intenções e amizades virtuosas de prazeres mútuos. Terei de ter coragem para assumir o meu plano de aceleração do futuro como o bem maior dessa década, mesmo que para isso eu tenha que cortar na própria carne, me isolando numa solidão necessária, como se estivesse num campo de concentração máxima de onde só sairei quando completar quarenta anos. Tendo a consciência de que somente uma fatalidade me tirará da minha escolha.
Quero entrar na casa dos quarenta anos realizado plenamente para que as décadas seguintes sejam tomadas por realizações extras. Tenho a partir de agora nove anos para conquistar uma formação profissional, uma residência, um automóvel e alguns investimentos que me assegure viver os demais anos com tranqüilidade. Nas questões da afetividade é bem melhor não me envolver de cabeça com ninguém, a não ser que este alguém tenha afinidades de projetos. Caso seja apenas “um terceiro” como descrevi num dos textos acima, é bom que eu mantenha sempre a razão, para isso preciso de muito oxigênio, e leve na superficialidade e no bom humor para não me apegar e colocar tudo a perder.
Tarefa difícil essa, quase um sonho. Mas é a transformação kafkaniana que escolhi para a minha vida e que segurarei com afinco.