quarta-feira, 29 de julho de 2009

A PERFEIÇÃO E O TEXTO IMPERFEITO


Uma vez achei que tinha encontrado a perfeição numa dessas esquinas da cidade. Mas ela não era tão perfeita como eu imaginava.
Naquele dia a perfeição estava estática na esquina me olhando e me desejando. Pra ser sincero ela me desejava mais do que eu a ela e assim nós trocamos olhares, um sorriso cândido e num súbito a porra da perfeição estava na minha casa, ocupando a minha cama, me dando ordens enquanto eu corria para agradá-la da maneira mais perfeita possível, justamente porque era única. E numa frase caetana, ela invadia os sete buracos da minha cabeça – no meu caso cinco por motivos óbvios.
Tratei a perfeição como uma linda mulher de tez inglesa. Só que no fundo ela não passava de uma puta barata, dessas que se joga para qualquer pé rapado disposto a enfiar seu ego numa caçapa mal desocupada. E então conclui que o melhor é ficar com o imperfeito mesmo, porque ele não consegue enganar ninguém, mesmo quando tenta e no fundo acaba sendo mais sincero, verdadeiro e realizador.
É isso hoje. Sem grandes textos ou ideias, tive vontade de dizer essas bobagens. Sem me importar se trato com perfeição ou imperfeição este escrito.