domingo, 5 de agosto de 2007

Eu tive reparando na minha vizinhança nos últimos dias e percebi tamanha ociosidade que lhes cercam. Vivem dizendo coisas alheias como se fossem importantes. É o tal carro do vizinho x que quebrou, a eletropaulo que cortou a luz de outro, a mulher que ficou de vir pra vender bugigangas e não apareceu, o casal gay que está de viagem pela Europa, as latinhas de cervejas na calçada, o lixeiro que ainda não passou, a roupa daquela menina fogosa dançando funk, mexendo com a líbido dos garotos, todos também muito perdidos entre conversas cujo conteúdo não passa de comentários sobre a festa da noite passada.
Alguém grita, o dono do bar aumenta o som, num desses blacks que estão na moda e um grupo começa a se aglomerar e a falar cada vez mais alto e empolgados. Não há nenhuma preocupação com a crise aérea, com a economia, com o renangate, tudo isso não lhes pertence.