quinta-feira, 20 de março de 2008

PÁSCOA: A ALEGRIA DO MENINO E A MINHA VERGONHA

É época de páscoa e eu nem tinha me dado conta disso se não fosse a sensibilidade infantil de uma criança que ao entrar na padaria onde habitualmente tomo café, se deparou com surpresa e felicidade com uma réplica de coelho que tem logo na entrada e que eu, na minha falta de sensibilidade para essas coisas nunca tinha percebido.
A alegria daquele menino diante do coelho branco de pelúcia, me surpreendeu de forma que passei a observá-lo nos seus pulos, gritos e cumprimentos. "Oi coelhinho". Ele devia ter uns quatro anos de idade e sua empolgação me contagiou de forma que passei a apreciá-lo em estado de graça. Ele deu vida ao tal coelho e de certa maneira a mim também.
Eu passo quase diariamente pelo boneco e nunca sequer lhe dei atenção, muito pelo contrário, faço como os demais adultos que já se libertaram dessas fantasias infantis de coelhinhos da páscoa e assim o ignoro.
O mundo dos adultos é severo com os coelhinhos da Páscoa, com os Papai Noeis. Por que será que nós achamos que esses seres maravilhados e encantados não existem e nos prendemos a uma realidade tão concreta? Disso não tenho a resposta ainda, mas fiquei feliz de ver o garoto naquela felicidade. Tanto que ao passar novamente pelo coelho que tem quase a minha altura, não pude ignorá-lo e antes de passar pelo caixa para pagar o café, não me contive e cumprimentei-o meio envergonhado: "Oi coelho, uma feliz páscoa".