segunda-feira, 12 de outubro de 2009

UM BELO TEXTO


Este texto sem título eu extraí da página de apresentação do meu amigo Ric que está no orkut. Achei bastante propício, simples e sincero. Bom pra refletir.

Nós seres humanos, somos naturalmente afetivos... Queremos amar, queremos ser amados, queremos expressar nosso amor, e termos liberdade para essa expressão... Nossa vida geralmente gira em torno de nossos afetos e a maioria das atitudes que tomamos na vida tem por base uma relação afetiva.
Repara se você não dá uma importância até exagerada a sua vida afetiva. Repara, por exemplo, como você se enche de expectativa com seus relacionamentos... Repara que se esse lado de sua vida não está bem, parece que o resto não tem muita importância. Ou então, se acontece alguma coisa com sua parte afetiva, ela puxa todo o resto, e tudo fica ruim...
Será que você é uma pessoa disposta ao amor, disposta a ter um relacionamento verdadeiro, ou você está disposto a se relacionar com seus sonhos e suas ilusões de viver um grande amor? Temos tantas ilusões dentro de nós que fica difícil nos relacionamentos com os outros...
Como aceitar o outro se, não aceitamos, nem mesmo a nós mesmos? Como permitir que o outro seja ele mesmo, se nós não nos permitimos ser como somos...
Deixamos nossos sonhos tomarem conta de nós, idealizamos um relacionamento e quando entramos em contato com o relacionamento real ficamos decepcionados, magoados... Como ele ou ela não é como eu gostaria? A mágoa vem do orgulho vem das fantasias que temos, essa ilusão de perfeição, de que tudo tinha quer ser como eu imaginei e não como é... Vem de crenças que é o outro que tem de me fazer feliz...
Nos ofendemos, ficamos magoados, generalizamos posturas e experiências... Dizemos que “é sempre assim”... que “a felicidade não existe”, etc. Prometemos a nós mesmos que não vamos entrar em outra... Juramos que nunca mais seremos bobo ou ingênuo e acabamos por fechar nosso coração... Com o tempo, temos vontade de experimentar novamente, mas lá dentro de nós existe uma promessa de não arriscar mais para não sofremos e não magoarmos outra vez. Nós nos vingamos do outro nos machucamos mais.
Nos impedimos de ir, continuamos feríveis, cheio de defesas, cheios de medo, receosos... Com medo de sofrer, sofremos... Acabamos reclamando de carência afetiva, de solidão, sem atentar ao fato de que carente não é quem não tem amor... é aquele que tem, mas não dá com medo de ser machucado, que a solidão é a distância que sinto de mim mesmo, pois deixei que as ilusões e os sonhos me colocassem para longe de minha verdade... Não é o mundo que está seco e distante.
Somos nós que estamos assim no mundo... Não são as pessoas que me magoaram ou me decepcionaram, mas fui eu que me enchi de sonhos e esperei que o outro cumprisse o roteiro que eu fiz para ele... Será que você é capaz de perceber e aceitar que fez isso com você? Será que você é capaz de aceitar o que passou em sua vida? Será que você fez um pacto com o seu infeliz e que tudo tem que ser difícil para você se castigar por seus enganos?
O medo de amar está aí porque não deixamos o passado passar. Não aceitamos que fomos incapazes de lidar com a realidade porque estávamos presos em nossos sonhos... Quanto mais sonhamos, mais sofremos. É aquela coisa que dizemos: “Quanto maior a subida, maior o tombo”. Chamamos de desgosto, de trauma, fazemos drama, tudo foi terrível e a culpa é sempre do outro que não soube entender o amor que tínhamos para dar. Mas eu pergunto: será que tínhamos amor para dar para ser real ou alguém que criamos em nossa fantasia? Afetividade é a relação que temos com a realidade, generosidade é aceitar o outro como é, cada um é um, amamos o outro justamente porque ele é diferente de nós... amamos a individualidade do outro, a natureza especial dele. Amar é aceitar o outro incondicionalmente. Mas, como posso dizer o outro se não sei amar a mim mesmo? Como posso dizer que aceito o outro como ele é se eu não me aceito como sou? Trocamos sonhos? Trocamos ilusões de perfeição? Trocamos o que cada um imagina, que o outro deveria ser, para nos fazer felizes?