quarta-feira, 9 de maio de 2007

JORNAL PORTUGUÊS DÁ DESTAQUE À VISITA DO PAPA NO BRASIL E A DISCUSSÃO DO ABORTO

Aborto no centro da visita do Papa ao Brasil

A protecção do direito à vida vai estar no centro da viagem de Bento XVI ao Brasil, que tem início hoje, de acordo com um anúncio feito ontem pelo Vaticano. Porém, o presidente brasileiro, Lula da Silva, deverá manter um discurso contido em relação à questão. Entrevistado por um rádio católica, o chefe de Estado brasileiro afirmou-se contra a interrupção voluntária da gravidez, mas adiantou entender “as jovens desesperadas por causa de uma gravidez indesejada”. Lula da Silva acrescentou também que “o Estado não pode abdicar de cuidar do assunto como uma importante questão de saúde pública”. O presidente brasileiro não fez, no entanto, qualquer referência a um possível diálogo com Bento XVI sobre a questão do aborto, tendo em conta que a principal preocupação do Sumo Pontífice será, de acordo com o Vaticano, a consciencialização social e dos governos para a importância da vida, o que faz do aborto o principal ponto a ser discutido entre Bento XVI e Lula da Silva, no encontro agendado para amanhã. Durante a sua deslocação ao Brasil o Papa vai presidir à inauguração da Quinta Conferência do Episcopado Latino-americano e das Caraíbas, num momento em que o Brasil debate a questão do aborto e o México viu recentemente aprovada a liberalização daquela prática. O anúncio da discussão da questão foi interpretado no próprio Vaticano como uma mensagem de que a Igreja se mobiliza contra o aborto na América Latina. A discussão em torno da polémica questão tem ganho espaço no Brasil, onde a sua prática é proibida, sendo considerada crime excepto nos casos em que a gravidez ocorra por violação ou ponha em risco a vida da mãe. O eventual alargamento da excepção aos casos de malformação do feto está a ser discutido no Congresso.Segundo a imprensa brasileira o Vaticano propôs ao governo brasileiro a assinatura de um acordo contra o aborto, que está a ser discutido. A preocupação de Bento XVI com a questão prende-se também com o facto de a legalização do aborto ter sido aprovada no México no passado dia 24 de Abril. A nova legislação mexicana permite a interrupção da gravidez até à décima segunda semana de gestação, e foi aprovada pela assembleia legislativa local com 46 votos a favor e 19 contra. A aprovação da lei provocou de imediato um grande debate e muita pressão por parte da Igreja Católica e do Vaticano. O México é o segundo maior país católico do mundo, com cerca de 90 por cento de população católica, atrás apenas do Brasil, que o Papa visita hoje pela primeira vez.

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