sábado, 16 de junho de 2007

MEU CAMINHAR PELA LAPA

Enquanto caminhava pela rua Catão, no bairro da Lapa, ouvia no mp3 da minha irmã e que ela me disse ter emprestado mas é bem possivel que não queira de volta porque não gostou do aparelho que ganhara numa daquelas gratificações que as empresas dão ao "funcionário do mês". Ou seja, para aquele que mais se foder pela empresa, sem pedir aumento, sem querer fazer greve, perdendo horário de almoço e ainda bajulando o chefe. E a grande maioria se mata para conseguir tal gratificação e ter o prazer de ir embora pra casa morto de cansado, mas orgulhoso de ter ganho o presentinho da empresa que no final faturou simplesmente o que daria pra comprar uns cinco mil aparelhinhos daquele. Eu ouvia a rádio Energia 97, especializada em house music, que tanto gosto, mas eis que no meio do meu caminhar, senti vontade ouvir algo que fosse mais instrumental e suave, sintonizei a rádio Cultura de São Paulo, onde tive a sorte e o prazer de ouvir, mesmo que pela metade, uma música de Villa Lobos. Na sequencia, um dos meus preferidos, Tchaikovsky. Não sei dizer o nome da música porque entendo pouco, mas era uma valsa.
Enquanto ouvia a música, tão suave e calma, tão harmoniosa e bela, comecei a reparar na correria das pessoas. No passos rápidos e curtos, nos que me olhavam já que me faço notar em qualquer lugar pelas minhas características físicas, ví uma velha sentada na calçada do shopping da Lapa, bem em frente a banca de jornal, ela vestia uma saia rosa e usava um pano branco na cabeça e seu rosto era de quem agonizava a troco de algumas moedas. Confesso, que como os demais, também ignorei a presença dela, a pobreza incomoda muito aos olhos de quem dela reclama. Atravessei a rua Guaicurus e partia rumo ao ponto de ônibus, que agora é ponto de lotações ( veículos de pequeno porte). Para minha sorte, a lotação que costumo pegar já estava no ponto e ai sentei no ultimo banco do lado direito. Essas lotações costumam ter um banco a mais na sua traseira.
Me sentei próximo a janela, peguei o livro do Mario Vargas Llosa e começei a lê-lo, chama-se "Pantaleão e as visitadoras". Continuo essa história depois.